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Padrasto de crianças desaparecidas em Bacabal rompe silêncio e nega envolvimento no caso

Márcio Silva estava em viagem de trabalho quando os enteados sumiram; homem diz ser vítima de acusações infundadas enquanto buscas completam dez dias sem resposta. A angústia que tomou conta de Bacabal, no interior do Maranhão, ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira.

Márcio Silva, padrasto dos irmãos Ágatha Isabelle, de 6 anos, e Allan Michel, de 4 anos, decidiu falar. O homem virou alvo de suspeitas depois que deixou a cidade no mesmo dia em que as crianças desapareceram. Agora, tenta desfazer o que chama de acusações falsas.

O timing da saída de Márcio levantou dúvidas. Enquanto os irmãos brincavam pela última vez em uma área de mata no território quilombola São Sebastião dos Pretos, ele seguia rumo a São Luís com passagens compradas para Curitiba. A polícia, porém, verificou a versão apresentada: tratava-se de um compromisso profissional agendado antes do sumiço das crianças.

“A gente ia jantar quando ela viu ligações perdidas da mãe dela”, relatou Márcio ao programa Cidade Alerta, referindo-se à mãe das crianças. “Eram várias ligações e áudios. Depois disso a gente nem jantou mais. Fomos embora para o interior, mesmo chovendo. Quando a gente chegou, muita gente já estava à procura.”

O padrasto sustenta a hipótese de que as crianças foram levadas por terceiros. “Alguém levou, pode ter sido até a pé ou em alguma carroça. Estamos todos aflitos para saber por que levaram eles. A gente quer uma resposta.”

A declaração contrasta com o depoimento de Anderson Kauã Barbosa Reis, de 8 anos, primo dos irmãos e a única criança do trio encontrada com vida. Localizado após 72 horas perdido, nu em meio à vegetação do povoado Santa Rosa, o menino afirmou às autoridades que ninguém os sequestrou.

Segundo Anderson, as três crianças teriam entrado sozinhas na mata e se perdido.

Márcio, no entanto, questiona a versão do garoto. “Ele fala várias coisas. Sempre que alguém pergunta quem os levou para mata ele diz ‘Não, ninguém levou a gente. A gente entrou só na mata’. Ele tem os problemas dele, ele é um menino autista. O que ele consegue falar é isso, mas nunca se sabe.”

A fala revela a fragilidade que cerca o caso. Anderson possui diagnóstico de autismo, o que torna seu relato uma peça importante, porém complexa, no quebra-cabeça que a polícia tenta montar há dez dias.

As buscas mobilizam uma força-tarefa com mais de 500 pessoas, entre voluntários e militares do Exército. Peças de roupas infantis foram encontradas na mata, mas análises descartaram que pertencessem aos irmãos desaparecidos.

O prefeito de Bacabal oferece recompensa de vinte mil reais por informações que levem às crianças. O governador do Maranhão prometeu, nas redes sociais, que as operações seguirão até que haja um desfecho. “Não vamos parar.”

Enquanto isso, Márcio Silva enfrenta o peso duplo da ausência e da desconfiança. A cidade que procura por Ágatha e Allan também lança olhares sobre ele. O homem que deveria estar em Curitiba a trabalho permanece em Bacabal, entre a esperança de um retorno e a necessidade de provar sua inocência.

O governo do Maranhão descartou abuso sexual contra Anderson após exames realizados no Hospital Geral de Bacabal. As investigações prosseguem para esclarecer a dinâmica do desaparecimento. A mata segue sendo vasculhada. As respostas, por enquanto, continuam perdidas junto com as duas crianças.

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